O novo ouro do agro que vai além do combustível
Em menos de uma década, o etanol de milho deixou de ter papel secundário
Em menos de uma década, o etanol de milho deixou de ter papel secundário - Foto: Pixabay
A produção de etanol de milho vem ganhando espaço e se consolidando como elemento estratégico no agronegócio brasileiro, ampliando a integração entre diferentes cadeias produtivas. A análise é de Maria Flávia Tavares, economista e doutora em agronegócios, ao avaliar a evolução recente desse mercado.
Em menos de uma década, o etanol de milho deixou de ter papel secundário e passou a contribuir de forma mais ampla, conectando a produção de grãos, energia e proteína animal. Esse movimento ocorre em um cenário de forte expansão da produção de milho, que posicionou o Brasil como o terceiro maior produtor mundial. Na última década, o volume cresceu cerca de 40%, frequentemente superando 130 milhões de toneladas.
Dados da CONAB indicam que o país saiu de 42,5 milhões de toneladas na safra 2005/06 para 131,8 milhões em 2022/23, com estimativa de 139,7 milhões em 2024/25. Nesse contexto, o etanol de milho ganha relevância ao absorver excedentes e transformá-los em biocombustível e coprodutos de maior valor agregado, fortalecendo o mercado interno.
Entre os principais coprodutos estão DDG, DDGS e WDG, que se consolidam como fontes proteicas na nutrição animal. Esses insumos são utilizados na alimentação de bovinos, suínos, aves, peixes e pets, inclusive como alternativa ao farelo de soja.
Com a expansão da indústria, esses produtos também avançam no comércio exterior. Em 2023, o Brasil realizou o primeiro embarque de DDGS para a China, com 62 mil toneladas enviadas de Santa Catarina ao porto de Nansha. A abertura do mercado das Filipinas reforça esse movimento, impulsionada pela demanda por proteína animal e insumos sustentáveis, conforme UNEM e ApexBrasil.
A produção acompanha esse crescimento e se expande geograficamente, com liderança de Mato Grosso, seguido por Mato Grosso do Sul e Goiás, enquanto novos estados passam a integrar a cadeia. O processo indica uma mudança estrutural, em que o milho deixa de ser apenas commodity de exportação e passa a compor um sistema mais integrado e voltado à geração de valor no país.